Ponto de equilíbrio: O indicador chave de viabilidade das empresas

por Equipe de conteúdo

Ponto-de-equilibrio-break-even - Copia

O ponto de equilíbrio (também conhecido como break-even point) é uma daquelas expressões do mundo dos negócios que ainda assusta muita gente.

“Deus me livre! Eu não sei o que é isso não e nem quero saber, a minha empresa é muito pequena e enxuta, isso aí é coisa para multinacionais”.

Muitos empreendedores vão falar isso, mas o fato é que o ponto de equilíbrio é um indicador simples, mas vital para a sustentabilidade de qualquer negócio.

Nesse artigo vamos abordar os três tipos de ponto de equilíbrio:

• Financeiro
• Econômico
• Contábil

Vamos mostrar suas diferenças, como são calculados e a importância do empresário ter conhecimento desses indicadores para manter a saúde financeira da empresa, independentemente de seu porte e segmento de atuação.

Vamos começar com o…

Ponto de equilíbrio financeiro

Também conhecido como “PEF”, é o ponto onde a receita obtida com a margem de contribuição dos produtos vendidos iguala-se ao total das despesas fixas da empresa menos as depreciações e amortizações.

Nesse cenário há um empate, a empresa “zera” suas contas, não terá lucro, nem prejuízo.

Mas antes de calcular o PEF temos que saber qual é a margem de contribuição dos produtos.

Saber qual é a margem de contribuição será essencial para calcular o ponto de equilíbrio da empresa, até falamos sobre ela num artigo aqui no blog, leia mais aqui.

O que é margem de contribuição?

É mais simples do que parece, é o valor que sobra da venda de um produto depois de descontados seus custos fixos e variáveis.

É como se fosse o lucro bruto sobre cada produto vendido.

Dito isso vamos a um exemplo:

A empresa ABC vende um item, chamado produto X, a 200,00.

Seu custo total é de 100,00, sendo 80,00 do custo de aquisição (custo fixo) e 20,00 de custo variável (embalagem e comissão do vendedor, por exemplo).

Então: 200,00 – (80,00 + 20,00) = 100,00

Logo, nesse caso a margem de contribuição do Produto X é de 100,00, ou seja, é o que sobra de cada venda depois de descontados os custos.

Supondo que a empresa ABC tenha despesas fixas de R$ 25.000,00 (Aluguel, energia, telefone, internet, folha de pagamento, pró-labore, honorários contábeis, etc.) baseado apenas nas vendas do produto X, qual seria seu ponto de equilíbrio?

Ponto-de-equilibrio-financeiro

No nosso exemplo a empresa tem que vender 250 unidades do produto X para zerar suas despesas, o que for vendido a mais que essa quantidade representará efetivamente lucro.

Note que o ponto de equilíbrio financeiro leva em consideração apenas os desembolsos diretos a terceiros que a empresa realiza, ou seja, tudo o que sai efetivamente do seu caixa para pagar os fornecedores, colaboradores, etc.

Não é ideal que seja usado o tempo todo, pois ele não leva em conta gastos indiretos que a empresa possui, como depreciações e amortizações.

Estes apesar de não serem despesas cuja saída do caixa é direta, devem ser levados em consideração na estratégia de médio e longo prazo da empresa.

O empresário que ignorar essas despesas pode colocar a empresa em apuros em algum momento, mas vamos falar sobre isso no tópico sobre ponto de equilíbrio contábil.

Entende agora por que o ponto de equilibrio é vital para analisar a viabilidade de uma empresa?

Se o empresário não acreditar que vai conseguir vender a quantidade de itens naquele preço e com aquele custo, ele deve considerar seriamente abrir ou não a empresa.

Então resumindo, o ponto de equilíbrio financeiro visa mostrar qual terá que ser o volume mínimo de vendas para que a empresa honre suas despesas fixas.

Ponto de equilíbrio econômico

Essa segunda variante do ponto de equilíbrio por sua vez acrescenta o custo de oportunidade na conta.

Trata-se de uma correção monetária a ser considerada junto com as despesas fixas.

O raciocínio é o seguinte: Se o empresário não investisse na empresa, ele poderia aplicar o seu capital em um outro tipo investimento que rendesse 1% ao mês por exemplo?

Ou seja, a ideia é saber se é possível ganhar mais conduzindo uma empresa ou aplicando o dinheiro em algum outro investimento.

Vamos usar esse valor como exemplo: O empreendedor investiu R$ 200.000,00 na abertura da empresa e espera um retorno de 1% ao mês liquido, isso dá R$ 2.000,00 mensais.

O ponto de equilíbrio econômico considera esse valor adicional, de modo que o empreendimento só “empata” quando pagar as despesas e sobrar um valor compatível ao percentual que o dinheiro renderia aplicado em algo diferente.

O cálculo do indicador econômico é bastante parecido com o financeiro, veja:

Ponto-de-equilibrio-econômico

Ponto de equilíbrio contábil

Por último, mas não menos importante temos o indicador contábil.

Aqui na Unimake nós o consideramos o mais interessante e necessário de ser feito, pois ele mostra o cenário da empresa a médio e longo prazo.

Vamos explicar o porquê.

Todo mundo sabe que os ativos se depreciam.

Ativo é todo bem ou direito usado por uma empresa na sua atividade operacional.

Veja uma analogia: Seu carro, sua casa, seus objetos pessoais, eles se desgastam com o tempo e precisam ou ser reparados ou ser substituídos.

O que acontece quando você tem que trocar de carro?

Existem 4 opções:

A) Você tinha uma poupança para isso e compra um carro novo à vista;
B) Você financia um carro novo em longas prestações pagando juros;
C) Simplesmente não troca de carro, fica andando com o velho, mas passa a gastar muito com manutenção;
D) Abandona o carro e anda a pé.

Por que estamos falando isso?

Por que com as empresas é a mesma coisa.

Elas precisam dos seus ativos para manterem suas atividades operacionais e gerarem vendas e lucros.

Uma indústria precisa de suas máquinas, um escritório precisa de seus computadores e uma transportadora precisa de seus caminhões e assim por diante.

Se o empresário vive em função apenas do ponto de equilíbrio financeiro, ele só vai projetar os ganhos da empresa baseado no hoje e no agora, e vai ignorar as depreciações e amortizações, que são os lançamentos contábeis que preveem os gastos futuros com a renovação dos ativos.

Na hora de ter que fazer a reposição do ativo, caso a empresa que tinha reservas (opção A) repôs o bem à vista e ficou numa boa, com um ativo novinho em folha e sem um rombo no caixa.

Porém se não tinha reservas ela vai cair nas opções B, C e D.

A opção B é ruim, porque força a empresa a pagar juros (ou seja, diminuir seus lucros).

A opção C é pior ainda, porque a empresa vai ter que trabalhar com um carro velho sujeito a acidentes, atrasos nas entregas e altos custos de manutenção.

E a opção E é impensável, afinal toda a atividade da empresa se baseia nas entregas com um veículo próprio, sem isso a empresa quebra.

Mas o que são depreciações e amortizações?

Depreciação é um procedimento contábil que lança no balanço da empresa a previsão de desgaste de um ativo.

Por exemplo, contabilmente um veículo deprecia 20% ao ano de modo que contabilmente ele perde todo o seu valor em 5 anos.

Teoricamente ao final desse período a empresa tem que substitui-lo por um novo.

Isso significa que se o veículo foi comprado por R$ 100 mil, a depreciação média dele ao longo de 5 anos foi de R$ 20 mil por ano.

Esse valor teórico é que entra na conta do cálculo do ponto de equilíbrio contábil, pois apesar da empresa não ter gasto efetivamente esses R$ 20 mil todos os anos o empresário deveria ter feito uma reserva dele para a compra de um veículo novo.

A amortização é um procedimento parecido, mas funciona para a provisão de valores relacionados a ativos intangíveis, como licenças de programas de computador, patentes, etc.

Do mesmo modo, esses ativos vão perdendo o valor com o passar do tempo e em algum momento terão que ser substituídos, por isso a importância de uma provisão em caixa.

Vamos ver como o ponto de equilíbrio contábil é calculado?

Vamos usar o exemplo do veículo, digamos que o maior ativo da nossa empresa fictícia seja um pequeno caminhão de entregas, comprado no início do empreendimento por R$ 100 mil.

O empresário pretende trocá-la ao final de 5 anos, logo tem que prever uma reserva de R$ 20 mil por ano ou aproximadamente R$ 1.660,00 por mês.

Então nossa conta ficaria assim:

Ponto-de-equilibrio-contábil

Ah, mas se eu não fizer essas previsões que pregam no ponto de equilíbrio contábil, o que acontece?

Veja, como falamos anteriormente, não é “proibido” o empresário não prever as reservas com depreciações e amortizações na hora de calcular o ponto de equilíbrio da empresa.

Acontece que se não fizer isso, a médio e longo prazo a empresa pode se ver em apuros financeiros.

Por exemplo, pode ser que chegue na época de repor o ativo (Comprar um novo caminhão) e as taxas de juros do financiamento estão muito altas.

Significa que a empresa vai ter que vender o caminhão velho e emprestar dinheiro no mercado a juros caros, para repor o bem.

Isso vai apertar o caixa da empresa, que pode gerar efeitos em cascata.

Concorda que a empresa vai ter sua situação bastante aliviada se contar com uma reserva em caixa para repor seus ativos?

Nesse aspecto consideramos o ponto de equilíbrio contábil o indicador mais realista que existe, pois ele mostra de forma mais realista os gastos da empresa a médio prazo.

Conclusão

Saber se uma é viável ou não é absolutamente fundamental na hora de começar um empreendimento.

Sem essa conta pode ser que a empresa dê lucro no começo, mas com o passar do tempo ficará evidente que o negócio não se paga.

Agora que você entendeu a importância e sobre como calcular o ponto de equilíbrio, que tal praticar essa matemática na sua empresa?

Obrigado por nos acompanhar em mais esse artigo em nosso blog.

Esperamos que ele tenha lhe ajudado.

Acompanhe-nos por aqui e em nossas redes sociais que sempre publicaremos materiais sobre segurança digital e assuntos de interesse da gestão das empresas.

Obrigado e até a próxima!

Compartilhe

Post anterior: